Com pouco mais de dois anos para a eleição presidencial de 2026, os principais pré-candidatos têm direcionado grande parte de suas falas ao público feminino. O movimento ganhou força nos últimos dias, depois do atrito público entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e ocorre num cenário em que as mulheres representam 52,85% do eleitorado, segundo o Painel de Estatísticas Eleitorais do TSE (março de 2026).
Flávio Bolsonaro (PL)
Cinco dias após o vídeo de Michelle Bolsonaro relatando “desrespeito” do enteado, Flávio pediu desculpas e declarou que a defesa das mulheres precisa ser tratada como pauta econômica. O senador divulgou propostas como prisão imediata para agressores, castração química de estupradores, concessão de medidas protetivas por delegados e estímulo ao microcrédito feminino. No Senado, apoiou em 2025 uma PEC pelo direito das mulheres a uma vida livre de violência e, em 2026, apresentou projetos para criar unidades de atendimento à mulher no SUS e autorizar a polícia a conceder medidas protetivas imediatas.
Lula (PT)
Em 2 de julho, durante agenda no Rio Grande do Norte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o aumento das penas para feminicídio e afirmou que a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, lidera um pacto nacional sobre o tema. No atual mandato, Lula sancionou a lei de igualdade salarial e iniciou o governo com 11 ministras — número que caiu para oito após a reforma de abril de 2026. O petista também tem prometido ampliar a participação de mulheres, especialmente negras e jovens, na política.
Renan Santos (Missão)
O fundador do MBL e pré-candidato publicou, em 1º de julho, vídeo em que cita a jornalista Malu Gaspar como exemplo para mulheres, após revelações de tentativas de intimidação contra a repórter. Renan propõe aumentar penas para crimes violentos contra a mulher, endurecer punições para pais inadimplentes com pensão e manter o Bolsa Família para mães solo em situação de vulnerabilidade. Em anos anteriores, o político foi alvo de críticas por declarações consideradas machistas e enfrenta ações judiciais relacionadas a acusações de estupro e violência doméstica — a defesa sustenta que ele foi absolvido.
Romeu Zema (Novo)
Ex-governador de Minas Gerais, Zema divulgou em 1º de julho um vídeo no qual associa maior presença feminina na política à redução da corrupção, afirmando que “mulheres são mais honestas do que homens”. O pré-candidato defende penas mais duras para agressores e mudanças no Bolsa Família: manutenção ou aumento do benefício para mulheres com filhos e exigência de qualificação ou trabalho para homens jovens beneficiários. Também se posicionou contra o chamado PL da Misoginia, que inclui atos misóginos na Lei Antirracismo. No governo mineiro, criou o programa MG Mulher, com aplicativo de apoio a vítimas de violência e monitoramento eletrônico de agressores.

Imagem: Internet
Ronaldo Caiado (PSD)
O ex-governador de Goiás tem usado o tema segurança pública para atrair eleitoras. Em entrevista de 18 de junho, declarou “eu meto algema” ao se referir a casos de violência doméstica e ressaltou o uso de tornozeleiras eletrônicas para agressores no estado. Caiado critica cotas obrigatórias para mulheres na política, defendendo representatividade “por competência”. Em 2024, sancionou lei estadual que oferece ultrassom com batimentos cardíacos do feto a mulheres que buscam aborto legal — medida contestada no STF. Na pré-campanha, cita auxílio financeiro a mulheres vítimas de violência, incluindo aluguel e alimentação.
A intensificação das agendas e promessas voltadas ao público feminino reflete a busca dos pré-candidatos por um eleitorado majoritário e cada vez mais decisivo nas urnas.
Com informações de G1