Brasília – O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (3) que as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos na quarta (1º) obrigaram a corporação a antecipar a Operação Exchange, frustrando a captura do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, suspeito de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo Rodrigues, a divulgação das punições norte-americanas levou a organização investigada a mudar de comportamento. “Houve uma antecipação da nossa ação. Se não fosse essa designação, talvez o desfecho fosse outro. Infelizmente não localizamos o investigado”, declarou, durante encontro com jornalistas na sede da PF, em Brasília.
Empresário segue foragido
Shimada, considerado foragido, é apontado como elo entre traficantes internacionais e membros do PCC na Flórida. Ele já havia sido preso pela PF em 2024 e condenado pela Justiça Federal em 2025, em processo derivado da mesma investigação.
Além de congelar bens nos Estados Unidos, a sanção prevê bloqueio de empresas controladas direta ou indiretamente em 50% ou mais pelo investigado.
Prisão de secretária e mandados
Apesar da fuga de Shimada, a PF prendeu Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada como secretária e intermediária do empresário. Ela também foi incluída na lista de sanções dos EUA. As investigações indicam que ambos usavam codinomes para despistar as autoridades: ele, “o Japa”; ela, “Lara Croft”.
No total, a Operação Exchange expediu 11 mandados de prisão temporária — sete cumpridos até o fim da manhã — e 13 de busca em endereços na capital paulista, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. A Justiça determinou ainda o sequestro de bens, valores e criptoativos até R$ 10,4 bilhões.

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Esquema de lavagem
De acordo com a PF, a rede criminosa movimentava recursos oriundos do tráfico internacional de drogas por meio de criptomoedas, transporte de dinheiro em espécie e transações bancárias de alto valor. Os investigados podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Defesa
O advogado Yuri Cruz, do escritório Marcelo Cruz Advocacia Criminal, informou que a defesa de Shimada ainda não teve acesso aos autos e analisará a possibilidade de apresentação voluntária do cliente.
As autoridades brasileiras reforçaram a necessidade de integração com órgãos dos Estados Unidos, que recentemente classificaram PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
Com informações de G1