O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que o país precisa aumentar a tributação sobre a renda, sobretudo da população de maior poder aquisitivo, revisar programas sociais para torná-los mais focais e cortar benefícios fiscais nos próximos anos. As afirmações foram feitas em entrevista ao g1, publicada neste sábado (4).
Contato com a campanha de Lula
Durigan afirmou não ter recebido convite formal da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição para atuar na elaboração do plano de governo. Segundo ele, entretanto, já ocorreram conversas com José Sérgio Gabrielli, responsável pelo programa petista, além de diálogos com o presidente do PT, Edinho Silva, o próprio Lula e representantes de partidos aliados como PSB e PDT.
Mais imposto sobre renda e sobre lucros e dividendos
O ministro voltou a defender elevação da carga de tributos sobre a renda, hoje considerada baixa em comparação a países desenvolvidos. Entre as medidas propostas está a retomada da cobrança sobre lucros e dividendos, suspensa desde 1995. No Brasil, a alíquota é zero, enquanto a média dos países da OCDE foi de 24,7% em 2024. Ao adotar a taxação, Durigan entende que seria possível reduzir o Imposto de Renda das empresas e aliviar tributos sobre o consumo.
Proposta semelhante foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 2021, durante o governo Jair Bolsonaro, mas não avançou no Senado. Estimativas de analistas indicam potencial de arrecadação superior a R$ 100 bilhões por ano, a depender do modelo adotado.
Corte de benefícios fiscais
Para equilibrar as contas públicas, Durigan defendeu a continuação da redução dos chamados gastos tributários — renúncias de receita que somam mais de R$ 600 bilhões anuais, segundo a Receita Federal. Neste ano, o governo promoveu corte de 10% nesses subsídios, e o ministro avalia que há espaço para novos ajustes em 2027.
Revisão de programas sociais
Outro ponto citado foi a consolidação de benefícios sociais, proposta já levantada por seu antecessor, Fernando Haddad. Estudo citado pelo ministro calcula que os principais programas devem consumir aproximadamente R$ 550 bilhões em 2026 e aponta casos de duplicidade e fraudes. Durigan vê a unificação como forma de racionalizar gastos e liberar recursos para investimento.

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Desindexação fica para o próximo governo
Questionado sobre a possibilidade de desvincular o salário-mínimo dos reajustes de aposentadorias e de retirar pisos constitucionais de saúde e educação da receita, Durigan disse que o tema deverá ser debatido apenas após as eleições presidenciais de 2026, pelo governo que assumirá em 2027.
As declarações foram dadas em meio à discussão interna sobre a estratégia econômica que a gestão federal pretende seguir nos próximos anos.
Com informações de G1