Em pouco menos de dois meses após a liberação do financiamento coletivo para as eleições de 2026, os dez pré-candidatos que mais arrecadam pela plataforma QueroApoiar já somam quase R$ 3 milhões em doações feitas por pessoas físicas.
Quem lidera o ranking
No topo da lista está Renan Santos, pré-candidato à Presidência pelo Missão, com R$ 1,134 milhão provenientes de cerca de 19 mil apoiadores. Na sequência aparecem:
• Jones Manoel (PSOL), pré-candidato a deputado federal – R$ 447 mil;
• Marcel Van Hattem (Novo), pré-candidato ao Senado – R$ 338 mil;
• Rodrigo Spada (PSD), pré-candidato a deputado federal – R$ 260 mil;
• Kim Kataguiri (Missão), pré-candidato a deputado federal – R$ 191 mil;
• Humberto Matos (PCdoB), pré-candidato a deputado estadual no RS – R$ 152 mil;
• Elias Jabbour (PCdoB), pré-candidato a deputado federal – R$ 129 mil;
• Professor José (PSB), pré-candidato a deputado federal – R$ 109 mil;
• Gustavo Gayer (PL), pré-candidato ao Senado – R$ 85 mil;
• Rony Gabriel (Podemos), pré-candidato a deputado federal – R$ 70 mil.
Força nas redes sociais
Segundo o cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV, a predominância de nomes da direita no topo do ranking se explica pelo tempo de atuação desses grupos nas redes sociais. Para o professor, existe correlação direta entre visibilidade on-line e volume de doações, já que “o usuário que não participa de partidos ou sindicatos encontra nesses canais uma forma de se engajar”.
Estratégias de campanha
Partidos menores, como o Missão, recorrem às vaquinhas para compensar a fatia reduzida do Fundo Eleitoral. A coordenadora da campanha de Renan Santos, vereadora Amanda Vettorazzo, afirma que a sigla terá recursos limitados e dependerá das doações para financiar a disputa presidencial.
Grandes legendas, por outro lado, ainda não abriram captações on-line. PT, PL, PSD e Novo aguardam o fim de julho ou início de agosto para lançar suas campanhas de arrecadação, amparadas em valores expressivos do Fundo Eleitoral: PL (R$ 881,7 mi), PT (R$ 615,4 mi), PSD (R$ 421 mi) e Novo (R$ 90,11 mi).

Imagem: Internet
Regras para o financiamento coletivo
As doações pela internet foram regulamentadas em 2019 e seguem critérios definidos pelo Tribunal Superior Eleitoral:
• Só pessoas físicas podem contribuir;
• Cada eleitor pode doar até 10% da renda bruta declarada no ano anterior;
• Transações a partir de R$ 1.064,10 precisam ser feitas por transferência bancária identificada ou cheque nominal;
• Criptomoedas são proibidas;
• Candidatos devem manter conta bancária específica para a vaquinha e prestar contas parciais de 9 a 13 de setembro e final até 14 de novembro.
Plataformas autorizadas
Até o momento, o TSE habilitou dez empresas para intermediar doações: Apoia.se, DoarPara, AS2 Solutions, Conectei, Elis Gestão Estratégica, GMT Tecnologia, QueroApoiar, SmartCast, Um a Mais e Webi9. Nem todas iniciaram operação, mas, ao começarem a receber recursos, são obrigadas a exibir em tempo real quanto cada pré-candidato arrecada.
As vaquinhas virtuais foram utilizadas nas eleições de 2018, 2020, 2022 e 2024. Em 2024, os candidatos municipais levantaram R$ 7,7 milhões; na disputa presidencial anterior, o montante chegou a R$ 14,6 milhões.
Com informações de G1