As audiências públicas do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) começam nesta segunda-feira (6) em Washington e contam com forte presença de empresários e entidades brasileiras. O grupo quer evitar que o governo norte-americano aplique uma sobretaxa de 25% sobre uma ampla lista de produtos do Brasil.
O que está em jogo
A investigação, conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA, poderá resultar na nova tarifa até 15 de julho, data-limite anunciada por Washington. Caso o aumento seja confirmado, 35,2% do total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano será afetado, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Quem representa o Brasil
No setor industrial, participam Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), entre outras. No agronegócio, a lista inclui Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS) e Associação Brasileira dos Exportadores de Mel.
Principais argumentos da indústria
A Fiesp pretende sustentar que as economias de Brasil e Estados Unidos são integradas e que a nova tarifa elevaria custos também para empresas e consumidores norte-americanos. A entidade rebate quatro pontos da investigação:
- Propriedade intelectual: redução do estoque de patentes no INPI e intensificação do combate à pirataria;
- Tarifas de importação: cerca de metade dos produtos americanos já entra no Brasil com tarifa zero ou reduzida;
- Desmatamento: avanço da produção agrícola ligado a produtividade e tecnologia, não à expansão sobre floresta;
- Relação bilateral: defesa de maior cooperação comercial em vez de barreiras.
Estimativas da CNI indicam que, se a sobretaxa entrar em vigor, 31,6% das vendas brasileiras aos EUA pagarão alíquota total de 37,5% ao se somar a nova tarifa a outra já aplicada por suposto descumprimento de regras sobre trabalho forçado.
Máquinas e equipamentos
A Abimaq solicitará exclusão integral do setor. A associação argumenta que 82% das exportações de máquinas para os Estados Unidos ocorrem entre empresas do mesmo grupo econômico, o que, segundo a entidade, comprova forte integração das cadeias produtivas e reforça o risco de aumento de custos para a própria indústria americana.
Ferro-gusa
O Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer) pedirá que o ferro-gusa fique fora da medida. O produto, responsável pelo abastecimento de siderúrgicas norte-americanas, tem 83% de suas exportações direcionadas aos EUA e utiliza carvão vegetal de florestas plantadas, argumento considerado decisivo pelos produtores.

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Agronegócio
Entidades rurais vão defender que a tarifa pressiona preços ao consumidor dos EUA e pode influenciar a inflação local. Setores de mel, café solúvel e pescados lideram a argumentação, ressaltando que a relação comercial é complementar e que acordos firmados pelo Brasil com outros países cobrem apenas 1,9% das importações brasileiras — portanto, sem prejuízo relevante a produtos dos EUA.
Além disso, a CNA refuta o vínculo entre expansão agrícola e desmatamento ilegal, citando queda de 79% no desmatamento da Amazônia entre 2005 e 2026, enquanto a produção de grãos subiu 213% no mesmo período.
Próximos passos
Equipes técnicas dos dois governos devem se reunir ainda nesta semana para preparar a última rodada de negociações de alto nível antes da decisão de 15 de julho.
Com informações de G1