O Ministério das Relações Exteriores alertou a Câmara dos Deputados para a possibilidade de os Estados Unidos recorrerem à força militar no Brasil depois que Washington incluiu o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas.
O aviso aparece em documento protocolado em 2 de julho e assinado pelo chanceler Mauro Vieira, enviado em resposta a um pedido de informações do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES). O texto foi tornado público na segunda-feira (6).
“Há a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro”, escreveu o ministro. Ele também destacou que a decisão norte-americana abre espaço para medidas “administrativas e judiciais de caráter unilateral e extraterritorial” contra pessoas, empresas ou organizações brasileiras, inclusive sem vínculos diretos com os EUA.
Vieira afirmou que a classificação, decretada em junho pelo Departamento de Estado norte-americano, pode gerar impactos financeiros, migratórios e penais a cidadãos brasileiros, além de representar “riscos concretos à soberania nacional”. Segundo o chanceler, não houve comunicação formal de Washington antes da medida, e o governo brasileiro mantém oposição à decisão.
Primeiras sanções econômicas
Na semana passada, o governo Donald Trump aplicou a primeira rodada de sanções ligadas à nova designação. Foram atingidos os brasileiros Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além das empresas:

Imagem: Bernardo Spinelli/MRE
- Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda;
- Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda;
- Wave Construções Inteligentes Ltda;
- Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda (Portugal).
Com a medida, bens mantidos nos Estados Unidos pelos alvos ficam bloqueados, entre outras restrições.
Com informações de G1