A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República divulgou nesta terça-feira (7) uma nota em que volta a chamar o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de “traidor da pátria”. O comunicado foi emitido depois de o parlamentar participar, em Washington, de audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre a aplicação de novas tarifas a produtos brasileiros.
No evento, realizado na segunda-feira (6), Flávio Bolsonaro — que falou em inglês e foi acompanhado pelo irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro — criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o senador, este seria “o pior momento possível” para adotar tarifas contra o Brasil, medida que, na avaliação dele, favoreceria Lula em ano eleitoral.
Nota do Planalto
“Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à pátria”, diz o texto da Secretaria de Comunicação. A mensagem sustenta que existe “diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”.
A Presidência argumenta que o governo negocia, desde julho de 2025, a reversão das tarifas “aplicadas injustificadamente” pelos Estados Unidos. De acordo com a nota, enquanto Flávio Bolsonaro “tentava politizar” o tema, representantes dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, das Relações Exteriores, da Justiça e do Palácio do Planalto se reuniam com técnicos do USTR para tratar da questão tarifária.
Participação no USTR
A audiência do USTR é aberta a qualquer interessado que se inscreva antecipadamente, procedimento seguido por Flávio Bolsonaro. O governo brasileiro afirma que, durante sua exposição, o senador não se colocou contra as tarifas e “optou por legitimar” os resultados da investigação norte-americana. O Planalto sustenta ainda que o parlamentar “não negou” a influência de campanhas lideradas por sua família na origem do chamado “tarifaço”.
Após o gabinete do senador informar que ele participaria da audiência, o Ministério das Relações Exteriores publicou em rede social que “traidores da pátria” precisam pedir desculpas pelas taxas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.

Imagem: Internet
Resposta oficial de Brasília a Washington
Em 2 de julho, o governo brasileiro enviou resposta formal ao USTR contestando a conclusão da investigação norte-americana. O documento, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, rebate acusações de que políticas brasileiras seriam “irrazoáveis” ou restritivas ao comércio, entre elas críticas ao PIX, ao desmatamento ilegal, à pirataria e à aplicação de leis anticorrupção. O Executivo trabalha com o prazo de 15 de julho, fixado pelo USTR, para tentar fechar um acordo tarifário.
Quem se posicionou sobre o tarifaço
Segundo cálculos do Planalto, 78 pessoas físicas e entidades — 44 dos Estados Unidos e 34 do Brasil — se inscreveram para opinar. Entre elas, 63 se declararam contra as tarifas e 15 a favor. O governo destaca que “entre os 34 brasileiros, somente Flávio Bolsonaro não se manifestou contra as medidas, sugerindo apenas o adiamento” e atribuindo a postura a um “claro objetivo eleitoreiro”.
O debate sobre as novas tarifas prossegue em Washington enquanto o governo brasileiro tenta reverter a medida e o senador mantém posição crítica ao Planalto e ao STF.
Com informações de G1