Planalto espera decisão de Trump sobre novas tarifas para definir resposta brasileira

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu aguardar até quarta-feira (15) a definição da Casa Branca sobre a aplicação de tarifas extras de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros antes de anunciar medidas de retaliação ou negociação.

O prazo para o anúncio, fixado pelo governo Donald Trump, chega ao fim nesta data. Em 1º de junho, Trump propôs a sobretaxa de 25% após investigação que inclui temas como desmatamento ilegal, pirataria e uso do PIX. No dia seguinte, acrescentou alíquota de 12,5% a exportações de 60 países, entre eles o Brasil, alegando falhas no combate ao trabalho forçado. Ambos os pacotes vieram acompanhados de listas de exceções para evitar impacto direto nos preços do mercado norte-americano.

Negociação de última hora

Brasília trabalha com a expectativa de que as tarifas sejam confirmadas, embora diplomatas avaliem a possibilidade de Washington ampliar as exceções na decisão final. A equipe de Lula aguarda ainda um convite para reunião virtual com o representante do Departamento de Comércio, Jamieson Greer, que poderia antecipar os termos do anúncio.

Na sexta-feira (10), Lula discutiu o tema com os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) no Palácio do Planalto. O presidente reiterou que o país seguirá dialogando até o limite, mas mantém a posição de que as novas tarifas são “injustificáveis”.

Possíveis respostas

Caso a sobretaxa seja confirmada, a reação inicial deverá ser uma nota oficial de “indignação”, seguindo o tom das manifestações já encaminhadas pelo Itamaraty, que considera a medida “inaceitável” e argumenta que a estrutura tarifária brasileira favorece as exportações dos Estados Unidos.

Após a publicação da decisão, equipes técnicas vão analisar a lista de produtos atingidos para definir próximos passos, que incluem a continuidade das negociações ou até o acionamento da Lei de Reciprocidade, sancionada em julho do ano passado para permitir retaliações a barreiras comerciais.

Pressão interna nos EUA

O Itamaraty identificou 43 empresas e associações norte-americanas que pedem a exclusão de mercadorias brasileiras da lista de sobretaxas, alegando falta de alternativas produzidas localmente. Mesmo assim, o governo brasileiro vê pouca chance de adiamento do tarifaço, já que autoridades dos EUA têm reiterado que o prazo de 15 de julho é definitivo.

Interferência eleitoral

Fora da diplomacia oficial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, solicitou ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) que a decisão fosse adiada para depois das eleições. Ele reforçou o pedido em audiência pública na semana passada, argumentando que o momento seria “o pior possível” para novas tarifas e que a medida favoreceria Lula. A iniciativa não conta com apoio formal do governo brasileiro.

Um ano de tensão comercial

Há exatamente um ano, Trump enviou carta a Lula anunciando tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros, intensificando a disputa comercial. Desde então, parte das taxas foi revista, outras mantidas e novas cobranças voltaram à mesa. Agora, o Planalto tenta evitar novo aumento da barreira tarifária enquanto mantém a porta aberta para diálogo.

Com informações de G1

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Rafael Oliveira é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.