Uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, reacendeu o debate sobre a divulgação de cartas políticas por presos. O episódio foi comparado ao período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve detido na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, entre 2018 e 2019, quando manteve comunicação com aliados e publicou textos de conteúdo eleitoral.
O que está em discussão
Aliados de Jair Bolsonaro afirmam que o ex-mandatário recebe tratamento mais rígido do que o dispensado a Lula, que pôde divulgar manifestos e receber visitas políticas. Já a defesa do petista afirma que as duas situações são distintas do ponto de vista jurídico.
Posição da defesa de Lula
O advogado Manoel Caetano Ferreira, que representou Lula na época, sustenta que o então preso não estava submetido a qualquer decisão judicial que limitasse sua comunicação com o exterior. “A pena privativa de liberdade, por si só, não retira o direito de a pessoa se comunicar”, disse. Segundo ele, a execução da pena não abrangeu restrição semelhante à imposta hoje a Jair Bolsonaro.
Restrições impostas a Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em Brasília e está sujeito a medidas cautelares determinadas por Moraes em julho de 2025, no âmbito da Petição 14.129. Entre as obrigações estão:
- uso de tornozeleira eletrônica;
- recolhimento noturno nos dias úteis e integral nos fins de semana e feriados;
- proibição de acessar redes sociais direta ou indiretamente, inclusive por terceiros;
- vedação de contato com embaixadas, autoridades estrangeiras e outros investigados;
- buscas autorizadas em endereços, veículos e hospedagens para apreensão de celulares, computadores e valores em espécie acima de R$ 10 mil.
As cautelares foram solicitadas pela Polícia Federal, acolhidas pela Procuradoria-Geral da República e homologadas por Moraes para, segundo a decisão, preservar a investigação que apura supostos crimes de obstrução de Justiça, coação no curso do processo e tentativa de suborno.
Cartas políticas
Em setembro de 2018, após ter a candidatura à Presidência barrada pela Justiça Eleitoral, Lula divulgou carta em que indicou Fernando Haddad como substituto na disputa e pediu votos para o petista. O texto foi lido publicamente por Haddad e integrou a campanha eleitoral.

Imagem: Internet
Já em julho de 2026, Jair Bolsonaro redigiu mensagem de apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, conclamando apoiadores a “arregaçar as mangas” em favor do filho. A leitura do documento durante transmissão ao vivo levou Moraes a proibir novas visitas do senador ao pai, entendendo que o ex-presidente utilizou o parlamentar como intermediário para descumprir a proibição de atuar nas redes sociais.
Por que o tratamento é diferente
Para Manoel Caetano Ferreira, o ponto central não é o conteúdo político das cartas, mas sim a situação processual de cada ex-presidente. Lula cumpria pena definitiva sem restrições adicionais de comunicação, enquanto Bolsonaro está submetido a medidas cautelares específicas que vetam o uso de redes sociais e impedem interlocução política por meio de terceiros.
Com base nesses elementos, a defesa de Lula entende que não há paralelo jurídico entre os dois casos, embora ambos tenham divulgado manifestos enquanto privados de liberdade.
Com informações de G1