Brasília – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto, declarou nesta segunda-feira (13) que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), “quer só uma desculpinha” para retirar o ex-presidente Jair Bolsonaro do regime de prisão domiciliar. A declaração foi feita em transmissão pelas redes sociais poucas horas depois de o magistrado suspender, por 90 dias, as visitas do parlamentar ao pai.
Visitas suspensas
A decisão de Moraes foi motivada pela leitura, por Flávio, de uma carta escrita por Jair Bolsonaro durante live realizada no sábado (11). O ministro entendeu que a divulgação violou a proibição imposta ao ex-presidente de utilizar redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros, e caracterizou desvio de finalidade do direito de visita.
Com a suspensão, Flávio e Jair Bolsonaro ficarão sem contato presencial até meados de outubro, após o primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro. O senador classificou a medida como “sem pé nem cabeça” e acusou Moraes de tentar interferir no processo eleitoral.
Condenação e restrições
Jair Bolsonaro cumpre, em prisão domiciliar desde novembro de 2025, pena de 27 anos e três meses por chefiar organização criminosa que tentou manter-se no poder após a derrota nas eleições de 2022. O acesso a redes sociais foi vetado pelo STF como uma das condições do regime domiciliar.
Carta de apoio e reincidência
No documento lido por Flávio, o ex-presidente apontava o filho como “porta-voz” e “melhor opção” para o país nas próximas eleições. Moraes afirmou que o senador usou a visita para obter o texto com o objetivo exclusivo de publicá-lo, burlando a vedação. O ministro também destacou que situação semelhante ocorreu em agosto de 2025, fato que contribuiu para a decretação da prisão domiciliar.
Repercussão política
A publicação da carta gerou reações de adversários e aliados. O Partido dos Trabalhadores (PT) ingressou com representação no STF pedindo a revogação da prisão domiciliar, alegando descumprimento das medidas cautelares.

Imagem: Internet
Tensão interna no PL
O episódio ocorreu dias depois de troca pública de acusações entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em meio à crise, Michelle renunciou à presidência do PL Mulher após reunião com a direção nacional da legenda.
Flávio, porém, reforçou que continuará buscando contato com o pai por outros meios legais e insistiu na tese de que há tentativa de “incomunicabilidade” imposta pelo STF.
Com informações de G1