Brasília – Representantes do governo brasileiro voltaram a afirmar nesta terça-feira (14) que a eventual aplicação de novas tarifas pelos Estados Unidos é “injusta”. A manifestação ocorreu durante a quinta reunião de alto nível com o Escritório do Representante de Comércio norte-americano (USTR) desde 7 de maio, um dia antes do prazo final para Washington anunciar a medida.
O que está em jogo
Os Estados Unidos investigam o Brasil com base na Seção 301, que permite retaliações em casos de “práticas comerciais desleais”. Caso a apuração resulte em sanções, produtos brasileiros podem ser sobretaxados em até 25%. Entre os temas questionados pelos norte-americanos estão:
- Suposto prejuízo ao setor de cartões de crédito provocado pelo sistema de pagamentos Pix;
- Desmatamento ilegal e alegada falha de fiscalização que refletiria em exportações agrícolas;
- Regulação brasileira para empresas de tecnologia;
- Legislação sobre minerais críticos.
Negociação emperrada
Diplomatas brasileiros afirmam que, desde maio, a equipe da Casa Branca tem se mostrado inflexível, exigindo mudanças no Pix e em regras de minerais sem apresentar contrapropostas. Há cerca de dez dias, o Brasil encaminhou respostas a seis pontos levantados pelo USTR, mas ainda não recebeu retorno.
Diante da proximidade do prazo, o governo admite ser improvável um adiamento do tarifaço. Mesmo assim, assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentaram, nesta manhã, contato com interlocutores do ex-presidente Donald Trump para promover nova rodada de diálogo. Lula determinou que o país permaneça à mesa de negociação “sem contaminação ideológica”.
Impacto potencial
Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que 4,2 mil produtos brasileiros podem ser afetados, somando US$ 15 bilhões em vendas anuais aos Estados Unidos. Entre os itens vulneráveis estão ferro-gusa, molduras de madeira e álcool etílico.
A CNI, a Câmara Americana de Comércio (AmCham) e a US Chamber of Commerce enviaram carta conjunta aos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) – além de autoridades dos EUA – pedindo que os dois países insistam no diálogo.

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Argumentos brasileiros
Segundo o governo, oito dos dez produtos norte-americanos mais vendidos no Brasil entram sem tarifas, e a alíquota média aplicada aos principais itens de origem dos EUA é de 3%. O vice-presidente Geraldo Alckmin sustenta que a adoção de sobretaxas “não faz sentido”.
Nota oficial
Em comunicado divulgado após o encontro, os ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; das Relações Exteriores; e a Assessoria Especial da Presidência reiteraram que qualquer sobretaxa será “injusta” e não contribuirá para um acordo bilateral. O prazo para o USTR divulgar a decisão e a lista de produtos sujeitos às novas tarifas expira nesta quarta-feira (15).
Com informações de G1