Brasília — Integrantes do governo federal afirmam ter realizado mais de 30 iniciativas de diálogo com autoridades norte-americanas na tentativa de impedir o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros, anunciado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A nova taxação entra em vigor em 22 de julho.
Troca de mensagens desde o primeiro anúncio
De acordo com levantamento da diplomacia brasileira, os contatos ocorreram por telefone, videoconferência e encontros presenciais em diferentes níveis — presidencial, ministerial e técnico. Entre eles, estão pelo menos 11 reuniões com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e com o representante de Comércio norte-americano, Jamieson Greer.
Governo nega omissão
O Palácio do Planalto sustenta que todas as tentativas de negociação partiram do lado brasileiro. A informação responde às críticas da oposição, que atribui ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a responsabilidade pelo chamado “tarifaço”. Para auxiliares de Lula, a decisão dos EUA tem motivação “ideológica” e “política”.
Investigação amparada na Lei de Comércio de 1974
A medida norte-americana resulta de uma investigação comercial conduzida durante um ano pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento que permite a Washington apurar supostas barreiras praticadas por outros países.
Reciprocidade em estudo
Após o anúncio, o governo brasileiro classificou a iniciativa dos EUA como um “marco lastimável” nas relações bilaterais e informou que poderá acionar a Lei da Reciprocidade para adotar contramedidas. Em nota oficial, o Planalto destacou que, nos últimos 15 anos, os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões na balança de bens e serviços com o Brasil.

Imagem: Internet
O cenário chegou a ser considerado favorável às negociações depois dos encontros entre Lula e o presidente Donald Trump, primeiro na Malásia e depois em Washington. No entanto, segundo fontes diplomáticas, o ambiente se deteriorou nas últimas semanas, após a visita do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) aos EUA.
Sem acordo alcançado até o momento, o aumento das tarifas será aplicado a partir de 22 de julho.
Com informações de G1