Delcy Rodríguez rebate Trump e diz que petróleo venezuelano continua sob controle do país

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Horas depois de Washington anunciar que passaria a controlar 65 bilhões de barris de petróleo venezuelano, a presidente interina Delcy Rodríguez foi à TV estatal para afirmar que “a propriedade e a soberania dos recursos permanecem inegociáveis”. O pronunciamento, feito na noite de sábado (29), ocorre em meio à reformulação da Lei Orgânica dos Hidrocarbonetos, aprovada na véspera pelo Parlamento de Caracas já sob forte influência norte-americana.

O choque diplomático aprofunda a tensão iniciada na sexta-feira (28), quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou um entendimento com Caracas que, segundo ele, “mais que dobrará as reservas de petróleo disponíveis para o mercado norte-americano”. O acordo, costurado apenas nove meses após a deposição militar de Nicolás Maduro, não teve seus termos detalhados, mas prevê parcerias com empresas privadas para explorar quase um quarto das reservas provadas do país sul-americano.

O que Trump anunciou

65 bilhões de barris sob gestão norte-americana

Falando na Casa Branca, Trump disse que os 65 bilhões de barris provenientes da Venezuela seriam incorporados ao portfólio de companhias norte-americanas, garantindo fornecimento “estável e a preço competitivo”. Pelas contas da Agência Internacional de Energia, esse volume equivale a 21% das reservas venezuelanas — hoje estimadas em 303 bilhões de barris, as maiores do mundo.

O presidente norte-americano exaltou o potencial de “dobrar” as reservas disponíveis para os Estados Unidos. Calcula-se que o país possua, atualmente, cerca de 55 bilhões de barris recuperáveis. Com a incorporação do petróleo venezuelano, a oferta estratégica dos EUA ultrapassaria 120 bilhões de barris.

Eleições de meio de mandato e preço da gasolina

Internamente, Trump enfrenta pressão às vésperas das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro. Os preços da gasolina mantêm­se elevados, em parte pela tensão com o Irã. O acesso a petróleo mais barato e o consequente aumento da produção são vistos pela Casa Branca como antídoto à insatisfação do eleitorado.

Washington também precisa recompor sua Reserva Estratégica de Petróleo, esvaziada após sucessivas liberações emergenciais. A entrada do barril venezuelano abriria espaço para operações de “swap” entre produtores norte-americanos, reduzindo custos logísticos e fortalecendo refinarias do Golfo do México.

O governo interino em Caracas

Deposição de Maduro e ascensão de Rodríguez

Maduro foi capturado em 3 de janeiro, durante uma incursão militar dos Estados Unidos. Transferido a Nova York, o ex-líder aguarda julgamento. Sua vice, Delcy Rodríguez, assumiu interinamente prometendo “normalizar a economia” e avançar rumo a eleições livres. Desde então, medidas vistas como pró-Washington foram adotadas, entre elas a libertação de presos políticos e o aumento imediato das exportações de petróleo bruto para refinarias norte-americanas.

Apesar da aproximação, o anúncio de Trump escancarou a linha que Rodríguez afirma não ultrapassar: a cessão da soberania sobre o subsolo. “Podem existir parcerias comerciais, mas a propriedade é da nação venezuelana”, enfatizou no discurso transmitido pela VTV.

Papel de Marco Rubio na transição

Alçado a secretário de Estado, o senador republicano Marco Rubio tornou-se personagem-chave no processo de transição venezuelano. Fontes diplomáticas apontam que Rubio atua como articulador de políticas para “estabilizar” a economia de Caracas, reorganizar o sistema político e conduzir o país a eleições gerais. Dentro da Venezuela, opositores e organizações de direitos humanos reclamam da lentidão dessas etapas e cobram um cronograma mais claro.

Impacto no mercado de petróleo

Produção venezuelana em nível crítico

Mesmo abrigando a maior reserva conhecida do planeta, a Venezuela produz hoje cerca de 1,25 milhão de barris por dia — menos de metade do registrado uma década atrás. Sanções econômicas, falta de investimento e fuga de capital humano corroeram a capacidade operacional da estatal PDVSA. As refinarias operam com equipamentos obsoletos, e a malha de oleodutos carece de manutenção.

Com a mudança de governo, companhias estrangeiras voltaram a discutir joint ventures para reativar campos maduros e instalar tecnologia de extração de petróleo pesado na Faixa do Orinoco. O suposto acordo anunciado por Trump faz parte desse movimento, mas seu alcance legal e financeiro permanece nebuloso.

Reserva Estratégica dos EUA

A Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos, criada na década de 1970, acumula pouco mais de 360 milhões de barris após sucessivas retiradas para conter altas de preços. Para repor o estoque, o Departamento de Energia estuda compras em grandes lotes ou trocas diretas com produtores. O barril venezuelano, de densidade média a pesada, seria adequado às refinarias especializadas do Texas e da Louisiana, liberando petróleo leve doméstico para exportação.

Pressões internas e próximas etapas

Oposição e entidades de direitos humanos

Movimentos de oposição venezuelanos consideram a presença militar dos EUA e a influência de Rubio excessivas. Organizações como a Provea e o Foro Penal cobram a convocação de uma assembleia constituinte que redefina o equilíbrio entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Para esses grupos, a manutenção de um governo interino indefinidamente fere a Carta Interamericana de Direitos Humanos.

Nos Estados Unidos, tanto democratas quanto parte dos republicanos exigem transparência sobre os termos do acordo petrolífero. Parlamentares ligados ao setor ambiental pressionam para que qualquer incremento de produção venha acompanhado de metas de redução de emissões, lembrando que o petróleo venezuelano é um dos mais intensivos em carbono.

Calendário para novas eleições

Rubio defende um processo em três fases: estabilização econômica, reorganização política e eleições livres. Segundo o secretário de Estado, a primeira etapa demandará ao menos seis meses de influxo de capital e recuperação da infraestrutura, o que empurraria o pleito geral para além de 2027. A oposição, contudo, quer que a votação ocorra ainda em 2026.

Enquanto isso, Rodríguez precisa equilibrar a retomada econômica, a pressão popular e as exigências de Washington. A resposta firme ao anúncio de Trump demonstra até onde o governo interino está disposto a ir. “Faremos negócios, mas nossos recursos não estão à venda”, resumiu a presidente em cadeia nacional, delineando o próximo capítulo da crise que redefine a geopolítica do petróleo no hemisfério.

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Escobar Oliver é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.