Resumo da Notícia

  • O Departamento de Estado informou que os Estados Unidos revogaram mais de 300 mil vistos desde janeiro de 2025, sendo mais de 125 mil apenas desde 10 de agosto — uma aceleração que o porta-voz Tommy Pigott atribui a uma política de “tolerância zero”.
  • Segundo o governo americano, a maioria das revogações está ligada a atividade criminal, risco à segurança pública, fraude ou outras violações migratórias; cerca de 4 mil casos envolvem o chamado “turismo de parto”.
  • O número é global e não há recorte público por nacionalidade: o alerta vale para titulares de visto de qualquer país, inclusive brasileiros, que podem verificar a situação do documento no sistema oficial CEAC.

Os Estados Unidos revogaram mais de 300 mil vistos desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump, em janeiro de 2025. O número foi divulgado pelo Departamento de Estado na terça-feira (20) e, segundo a Reuters, revela uma aceleração expressiva no ritmo dos cancelamentos nas últimas semanas — parte da ampla ofensiva do governo federal sobre a imigração, legal e ilegal.

A comparação com o balanço anterior mostra a velocidade do avanço. Em atualização divulgada em 10 de agosto, o próprio Departamento de Estado estimava em mais de 175 mil as revogações acumuladas desde janeiro de 2025. Em pouco mais de dois meses, foram pelo menos 125 mil novos cancelamentos.

Ao anunciar o dado na rede social X, o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, afirmou que o governo Trump “revogou mais vistos em um ritmo mais rápido do que qualquer outro governo na história”. De acordo com a Reuters, Pigott disse ainda que o governo tem “tolerância zero para com estrangeiros que estão aqui com visto e que infringem a lei, cometem fraudes ou prejudicam nossa segurança nacional”.

Quais são os motivos das revogações

Um funcionário do Departamento de Estado ouvido pela imprensa americana afirmou que a grande maioria das revogações decorre de atividade criminal, preocupações de segurança pública, violações migratórias — como fraude ou declaração falsa — ou de outras informações que indicavam que a pessoa não era mais elegível para o visto. O detalhamento mais completo disponível refere-se às revogações de 2025: segundo esse funcionário, 25% dos vistos cancelados naquele ano envolviam agressões e crimes relacionados, 22% estavam ligados a dirigir sob efeito de álcool ou drogas, 7% a furtos e outros 7% a abuso ou distribuição de substâncias.

O governo também intensificou a fiscalização sobre redes sociais de imigrantes e de solicitantes de visto, segundo a Reuters. Entre as revogações mais criticadas por defensores de direitos humanos estão as de manifestantes estrangeiros pró-palestinos que protestavam contra a ofensiva de Israel em Gaza e as de estrangeiros punidos por comentários publicados nas redes sociais. Para essas organizações, a repressão viola o devido processo legal e a liberdade de expressão e cria um ambiente inseguro, sobretudo para minorias étnicas.

O Departamento de Estado não divulgou o detalhamento completo de todo o período — nem quantos atingidos foram acusados, condenados ou apenas sinalizados por outros critérios. Os números tratam de vistos cancelados depois de emitidos, e não de pedidos negados na entrevista consular.

“Turismo de parto” e os próximos alvos

Um recorte específico chama a atenção de quem acompanha a comunidade brasileira. De acordo com o El País, cerca de 4 mil revogações envolvem pessoas que participaram ou facilitaram o chamado “turismo de parto” — viagens aos Estados Unidos com o objetivo de dar à luz no país, de modo que o bebê obtenha a cidadania americana prevista para quem nasce em solo americano. Um funcionário do Departamento de Estado confirmou o número de aproximadamente 4 mil casos à imprensa dos Estados Unidos.

A ofensiva pode avançar sobre outra frente. Documentos do Departamento de Estado obtidos pela Associated Press indicam que o governo espera revogar vistos de turismo e negócios (B1 e B2) emitidos entre 2016 e 2026 de titulares que pediram asilo ou estejam com pedido em andamento, em coordenação com o Departamento de Segurança Interna. Se confirmada, a medida atingiria a categoria de visto mais comum entre brasileiros.

O que o número significa para brasileiros

É preciso deixar um ponto claro: o total de mais de 300 mil é global, e o Departamento de Estado não divulgou recorte por nacionalidade. Não há, até o momento, um número oficial de brasileiros atingidos — e qualquer estimativa nesse sentido seria especulação. O impacto potencial, porém, é real para qualquer nacionalidade, porque a revisão alcança titulares de visto no mundo inteiro, incluindo quem está com o documento válido e sem qualquer problema conhecido.

O alerta se soma a um ambiente de fiscalização mais rígida que a comunidade brasileira já sente em outras frentes, como mostram os dados sobre brasileiros detidos pelo ICE e o alto índice de deportações. Não por acaso, informação de serviço virou prioridade para esse público — o mesmo que, mesmo morando fora, acompanha de perto as notícias do Brasil, do endurecimento migratório ao acúmulo da Mega-Sena, que chegou a R$ 200 milhões.

Revogar o visto não é o mesmo que cancelar a permanência

Um esclarecimento importante, destacado pelo Mercado e Eventos: a revogação do visto não é, automaticamente, o mesmo que a perda da condição migratória de quem já está nos Estados Unidos. O visto é o documento que permite pedir a entrada no país; a permanência de quem já entrou depende da condição concedida na admissão e do prazo registrado no formulário I-94.

Na prática, os efeitos variam. Para quem está fora dos Estados Unidos, o cancelamento pode impedir o embarque ou a admissão na chegada. Para quem já está no país com a condição migratória válida, a revogação, por si só, não encerra o prazo autorizado de permanência — mas, se sair dos Estados Unidos, a pessoa não poderá retornar com o visto revogado e precisará solicitar um novo.

Como verificar a situação do seu visto e o que fazer

Diante do ritmo de cancelamentos, especialistas e órgãos consulares recomendam que titulares de visto americano façam uma checagem preventiva, especialmente antes de qualquer viagem internacional. As orientações gerais são as seguintes:

Consulte o sistema oficial CEAC. O Consular Electronic Application Center, mantido pelo Departamento de Estado no endereço ceac.state.gov, permite verificar o status do processo do visto com o número do caso da solicitação original. Se o visto tiver sido revogado, o sistema pode exibir essa informação — embora a atualização nem sempre seja imediata.

Monitore o e-mail cadastrado no formulário DS-160. É para esse endereço que o Departamento de Estado ou o consulado emissor costuma enviar o aviso de revogação, geralmente com a citação do dispositivo legal aplicado (a seção 221(i) da lei de imigração americana). Vale checar também a caixa de spam, pois há casos em que o titular só descobre o cancelamento ao ter o embarque negado pela companhia aérea ou ao ser questionado no porto de entrada.

Não viaje antes de confirmar. Se houver qualquer dúvida — por exemplo, após uma prisão, uma autuação de trânsito por dirigir alcoolizado ou uma mudança nas condições do visto —, a recomendação é confirmar a validade do documento diretamente com o consulado que o emitiu e buscar um advogado de imigração licenciado antes de comprar passagens ou sair dos Estados Unidos.

Se o visto foi revogado, será necessário, em regra, apresentar um novo pedido e pagar nova taxa para voltar a viajar ao país. Guardar o aviso de revogação e os comprovantes da situação migratória ajuda o advogado a avaliar o caso. Desconfie de mensagens que peçam pagamentos, senhas ou dados bancários para “resolver” a revogação: comunicações oficiais não fazem esse tipo de cobrança.

Para brasileiros, os consulados do Brasil nos Estados Unidos também prestam assistência consular e podem indicar organizações de apoio jurídico. Em um cenário de recordes sucessivos de cancelamentos, a precaução mais simples — conferir o status do visto antes de viajar — pode evitar o transtorno de descobrir a revogação já no aeroporto.

Share.
Avatar

Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.