Washington, 6 de julho de 2026. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, foi aconselhado por assessores e correligionários a evitar declarações de cunho estritamente político nas audiências públicas marcadas para esta semana pelo Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR). Os encontros tratam da recomendação norte-americana de aplicar tarifa adicional de 25% às exportações brasileiras.
Preocupação com o eleitor independente
Aliados avaliam que um discurso focado em disputas partidárias pode agradar à base bolsonarista, mas afastar o eleitorado independente — segmento considerado decisivo para as eleições de 2026. A orientação é que o senador faça defesa “do Brasil”, e não apenas do seu campo político, tentando evitar eventuais “escorregões” que possam ser explorados por adversários.
Chegada aos Estados Unidos
Flávio Bolsonaro desembarcou em Washington no fim de semana para acompanhar as audiências organizadas pelo USTR. O calendário de reuniões começa no início desta semana e reunirá exportadores, autoridades e representantes da sociedade civil interessados no tema da sobretaxa.
Retirada de aliado
O influenciador Paulo Figueiredo, inscrito para falar nos encontros, desistiu de comparecer presencialmente. Nas redes sociais, declarou que “esta semana é de Flávio Bolsonaro” e que o senador deve “brilhar” nas conversas com as autoridades norte-americanas. Ele informou ter encaminhado suas ponderações por escrito ao USTR. A decisão foi recebida com alívio por integrantes da campanha, que temiam a postura considerada explosiva do aliado.
Assessores do pré-candidato lembram que a carta enviada por Flávio Bolsonaro ao governo dos EUA, em que o senador adotou tom fortemente político, já gerou críticas internas por ter fornecido material para ataques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A expectativa agora é de uma participação mais técnica e conciliadora durante as audiências.

Imagem: Valdo Cruz
As sessões no USTR devem ser concluídas ainda nesta semana. Depois disso, o governo norte-americano analisará os depoimentos para decidir se mantém ou revoga a proposta de sobretaxa.
Com informações de G1