Equipes técnicas de Brasil e Estados Unidos têm encontro marcado para esta semana, etapa preparatória para uma última reunião de alto nível antes de 15 de julho, data-limite para Washington decidir se aplicará novas tarifas a produtos brasileiros.
Risco de sobretaxa acumulada
Em junho, o governo do presidente Donald Trump propôs dois acréscimos tributários: um adicional de 25% sob a alegação de práticas comerciais desleais e outro de 12,5% vinculado a suposto descontrole sobre mercadorias produzidas com trabalho forçado. Se aprovadas, as duas medidas podem elevar a carga total a 37,5%.
“Mapa do caminho” brasileiro
Na quinta-feira (2), o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias, reuniu-se por videoconferência com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer. Na conversa, o Brasil apresentou um “mapa do caminho” com ações para tentar mitigar a ofensiva tarifária.
O plano, elaborado com aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 24 de junho, prevê compromissos sobre:
- tarifas preferenciais consideradas desleais;
- acesso ao mercado norte-americano de etanol;
- proteção à propriedade intelectual;
- combate à corrupção;
- redução do desmatamento ilegal.
O governo mantém a posição de não alterar o funcionamento do PIX, ponto criticado pelos EUA.
Perspectiva no Palácio do Planalto
Auxiliares de Lula admitem, sob reserva, que não contam com a revogação integral das tarifas. A expectativa é obter exceções ou reduções pontuais, pois veem caráter político — e não técnico — na avaliação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).

Imagem: Internet
Resposta formal enviada
Na quarta-feira (1º), o Itamaraty protocolou a defesa brasileira dentro do processo norte-americano da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O chanceler Mauro Vieira argumentou que críticas ao PIX e a decisões judiciais brasileiras tratam de políticas internas, sem relação direta com comércio exterior.
Próximos passos nos EUA
Antes de qualquer implementação, as propostas precisam passar por consultas públicas. Audiências estão agendadas para 6 e 7 de julho. A Casa Branca já sinalizou possíveis exceções para itens estratégicos como café, carne, frutas, aeronaves, fertilizantes e minerais críticos.
O resultado das negociações desta semana deverá nortear a decisão final que o governo norte-americano tomará até 15 de julho.
Com informações de G1