Uma carta enviada pelo senador Flávio Bolsonaro ao Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) reacendeu o debate político em Brasília. No documento, datado de 3 de julho, o parlamentar solicita que eventuais tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros sejam apenas adiadas para depois das eleições presidenciais de 2026, sem pedir o cancelamento definitivo da medida.
Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que a iniciativa acabou favorecendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o governo, o texto permite reforçar a narrativa de defesa da soberania nacional diante de pressões externas — um dos principais eixos que Lula pretende manter na agenda eleitoral deste ano.
Logo após a divulgação da carta, Lula utilizou as redes sociais para acusar a família Bolsonaro de atuar contra os interesses do país. O presidente classificou os ex-ocupantes do Planalto como “entreguistas” e “traidores da pátria”, intensificando o embate político em torno das possíveis tarifas.
Reação do Planalto
Segundo auxiliares do presidente, o fato de Flávio Bolsonaro não se posicionar contra as tarifas, mas apenas propor o adiamento, abriu espaço para que o governo reforçasse o discurso de que somente Lula estaria disposto a enfrentar medidas consideradas prejudiciais à economia brasileira.
Essa estratégia difere daquela adotada na campanha de 2022, quando o petista priorizou o tema da defesa da democracia. Em 2024, o Planalto pretende associar adversários à suposta disposição de ceder a pressões de Washington, transformando a pauta comercial em peça-chave do debate eleitoral.

Imagem: Andréia Sadi
Atuação nos EUA
Antes da carta, Flávio Bolsonaro já havia se inscrito para falar em audiência pública promovida pelo governo norte-americano sobre assuntos relacionados ao Brasil. Dentro do governo federal, esse gesto foi considerado de baixa relevância institucional e tratado como parte da disputa política em curso.
Com a corrida presidencial ganhando fôlego nos próximos meses, a expectativa no Planalto é de que temas ligados à política externa e à soberania nacional continuem no centro das discussões até outubro.
Com informações de G1