Por Rafael Oliveira | RSO Notícias | 22 de março de 2026
A Polícia Civil de São Paulo concluiu em 17 de março o inquérito sobre a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, 32 anos, e indiciou o marido dela, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, 53 anos, por feminicídio e fraude processual. No dia seguinte, 18 de março, ele foi preso em São José dos Campos, interior de São Paulo.
O que a perícia concluiu?
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo e as análises da Polícia Científica do Estado descartaram definitivamente a hipótese de suicídio, inicialmente registrada pelo tenente-coronel. Os pontos centrais da conclusão pericial são:
O tiro que matou Gisele foi disparado com a arma encostada na cabeça — trajetória que os peritos apontaram como impossível de ser realizada pela própria vítima na posição em que foi encontrada. O laudo descreve que ela foi “abordada por trás, com mão esquerda do agressor na mandíbula e arma na mão direita dirigida à têmpora direita”.
O IML identificou marcas de lesões no rosto e no pescoço de Gisele, compatíveis com pressão de dedos e marcas de unhadas, indicando luta corporal e possível tentativa de esganadura antes do disparo. O corpo apresentou sinais de que houve manipulação da cena do crime após a morte.
O contexto do relacionamento
Gisele e Geraldo moravam juntos no bairro do Brás, região central de São Paulo. A morte ocorreu em 18 de fevereiro de 2026. Familiares e testemunhas relataram à polícia que o casal vivia em relacionamento abusivo e que Gisele tentava se separar do marido. Mensagens apreendidas durante as investigações mostraram que o tenente-coronel monitorava as conversas da companheira. O acusado nega qualquer participação na morte, afirmando que a esposa se suicidou.
Processo nos dois tribunais.
Geraldo Leite foi denunciado tanto na Justiça Militar — responsável por julgar crimes cometidos por policiais em serviço — quanto na Justiça comum. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) defendeu a prisão preventiva, que foi decretada após solicitação da Corregedoria da PM ao Tribunal de Justiça Militar (TJM). Ao final dos processos, poderá ser condenado nos dois tribunais.
Fontes: CNN Brasil, Metrópoles, Polícia Civil de São Paulo.