O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta sexta-feira (3) que pessoas e empresas atingidas por sanções econômicas dos Estados Unidos por suspeita de ligação com facções criminosas já vinham sendo monitoradas pelas autoridades brasileiras “há algum tempo”. Segundo ele, a atuação direta de Washington em casos sob investigação no país “gera preocupação” ao governo.
Durigan falou em entrevista exclusiva ao portal g1 no mesmo dia em que a Polícia Federal desencadeou operação para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas. A ação resultou na emissão de 11 mandados de prisão temporária.
Alvos das sanções
Entre os detidos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, incluída na última quarta-feira (1º) na lista de sanções dos EUA por suposto vínculo com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Também sancionado pelo governo norte-americano, o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada é procurado pela PF e segue foragido.
“Essas empresas já estavam sendo investigadas pela Polícia Federal e pela Receita Federal. Não há novidade”, afirmou o ministro. “O que nos deixa em dúvida é qual será o desdobramento dessa intervenção dos Estados Unidos no Brasil.”
Primeira rodada de punições
As medidas anunciadas por Washington representam a primeira leva de sanções econômicas contra supostos colaboradores de facções brasileiras após a classificação, em junho, desses grupos como organizações terroristas internacionais.

Imagem: Washingt Costa
Troca de informações
Durigan ressaltou que o Brasil está disposto a compartilhar dados sobre suspeitos, mas espera reciprocidade de Washington. “Nos casos atuais houve troca de informações: a autoridade brasileira comunicou ao governo dos Estados Unidos o que acontecia aqui”, explicou.
Para o ministro, embora reconheça a gravidade das facções e o impacto social que causam, o governo brasileiro quer clareza sobre os objetivos das sanções norte-americanas. “Esse espaço de ataque, esse espaço de interferência, é o que nos preocupa”, completou.
Com informações de G1