O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participará na próxima terça-feira, 7, de uma audiência pública em Washington, organizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), para discutir a possível aplicação de tarifas de 25% a produtos brasileiros.
A presença do parlamentar consta de documento oficial do USTR. O encontro integra a investigação da “Seção 301”, que examina políticas brasileiras relacionadas a comércio digital, serviços de pagamento eletrônico – com ênfase no Pix –, tarifas preferenciais, leis anticorrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento.
Agenda em Washington
Flávio Bolsonaro terá cinco minutos para se pronunciar, em inglês e de forma presencial, em um painel marcado para as 10h (horário local) de terça-feira. Ele dividirá a mesa com Roberto Azevedo, representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), além de integrantes dos setores de calçados do Brasil e dos Estados Unidos.
Nos documentos enviados ao USTR, o senador apresenta-se como membro do Senado Federal e pré-candidato à Presidência. Ele afirma ter se reunido pessoalmente com o ex-presidente americano Donald Trump para tratar dos temas investigados.
Pontos que o senador pretende defender
• Rejeição à tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e a qualquer medida direcionada ao Pix;
• Argumento de que sanções favorecem o governo Lula, prejudicam exportadores brasileiros, consumidores norte-americanos e a oposição no Brasil;
• Avaliação de que a medida não eliminaria as práticas investigadas e poderia ter efeito contrário;
• Proposta de um mecanismo de negociação bilateral com cronograma definido, abrangendo comércio digital, corrupção, propriedade intelectual, etanol, desmatamento e tarifas;
• Afirmação de que a distância entre os EUA e um eventual governo brasileiro “reformista” seria menor do que a existente com o atual presidente.
Outros participantes
As audiências do USTR ocorrerão nos dias 6 e 7 de junho na sede da Comissão de Comércio Internacional dos EUA, em Washington. Além de representantes da siderurgia, agronegócio, energia, mineração, papel e indústria, está inscrito o comentarista Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Figueiredo.

Imagem: wilt junior
Investigado pelo Supremo Tribunal Federal por suposta atuação contra interesses do Brasil nos EUA, Figueiredo solicitou cinco minutos para falar em inglês. Ele planeja contestar a tarifa de 25% e sugerir o uso de instrumentos como a Lei Magnitsky e a revogação de vistos de autoridades brasileiras, em vez de sanções comerciais amplas.
Posição do governo brasileiro
Apesar de não participar das audiências, o Itamaraty encaminhou, na quinta-feira, resposta formal à investigação. No documento, o chanceler Mauro Vieira sustenta que as críticas americanas ao Pix e a decisões do Supremo Tribunal Federal não se relacionam a comércio, mas a divergências sobre políticas internas.
Flávio Bolsonaro cumpre agenda nesta sexta-feira, 3, no Rio de Janeiro, durante o Seminário Nacional de Comunicação do PL. A participação prevista para a noite na festa de São João de Campina Grande (PB) foi cancelada pela manhã.
Com informações de G1