O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “puramente político-eleitoral” a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na audiência realizada nos Estados Unidos sobre a eventual aplicação de tarifas a produtos brasileiros. Segundo assessores do Planalto, o posicionamento do parlamentar decepcionou empresários que esperavam uma defesa mais enfática dos interesses nacionais.
Na avaliação da equipe presidencial, o senador — pré-candidato ao Palácio do Planalto — concentrou-se em críticas ao governo Lula durante a sessão no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), deixando em segundo plano argumentos para impedir o chamado “tarifaço”.
Investigação norte-americana
O USTR mantém aberta, desde 2025, uma investigação amparada na “Seção 301” da Lei de Comércio de 1974. O procedimento apura supostas práticas brasileiras ligadas a comércio digital (como o Pix), tarifas, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento. Caso conclua que há prejuízo a empresas norte-americanas, o órgão pode adotar medidas comerciais unilaterais, incluindo a elevação de tributos na importação de produtos do Brasil.
Críticas de ministros e aliados de Lula
Dentro do governo, a fala de Flávio Bolsonaro foi vista como tentativa de explorar eleitoralmente o tema. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, chamou a iniciativa de “diplomacia clandestina da pior qualidade”. Já o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, acusou o senador de “oferecer a pátria de bandeja” ao solicitar que uma eventual elevação de tarifas seja adiada para depois das eleições brasileiras.
O vice-líder do governo na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), lembrou que o parlamentar chegou a comemorar medidas tarifárias adotadas durante a gestão de Donald Trump e, agora, “pede apenas o adiamento” das novas cobranças.

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Banco Master volta ao debate
Assessores presidenciais também criticaram o episódio em que Flávio Bolsonaro mencionou o Banco Master na audiência. De acordo com integrantes do Planalto, o senador omitiu a proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro — tema que, segundo eles, é de conhecimento das autoridades norte-americanas.
Estratégia da campanha do senador
Auxiliares de Flávio Bolsonaro afirmam que o roteiro seguido na audiência mira a campanha eleitoral de 2026. A aposta é apresentar o senador como defensor do Brasil, atribuindo ao governo Lula a responsabilidade pelas ameaças de um novo tarifaço. O parlamentar pretende permanecer nos Estados Unidos por mais alguns dias para reforçar essa imagem antes da decisão do USTR, prevista para 15 de julho.
Com informações de G1