O governo brasileiro decidiu não ocupar a tribuna nas audiências públicas que começam nesta segunda-feira (6) em Washington para discutir o tarifaço proposto pelo presidente norte-americano Donald Trump contra produtos do Brasil. Em vez disso, a embaixada em Washington designou representantes apenas na condição de observadores, segundo o Ministério das Relações Exteriores.
A avaliação interna é que o espaço das audiências, organizadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), não é o fórum ideal para negociação. O Planalto aposta nas conversas técnicas e de alto nível já realizadas nas últimas semanas e previstas para os próximos dias.
Participações confirmadas
Embora o governo tenha optado pelo silêncio oficial, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, e o influenciador político Paulo Figueiredo se inscreveram para falar. Flávio abrirá o segundo dia do encontro. Qualquer interessado pode pedir a palavra, desde que se inscreva junto ao USTR.
Rodada diplomática
Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, reuniu-se com o representante do USTR, Jamieson Greer, em Washington. Após o encontro, Rosa informou que novas reuniões ocorrerão nos próximos dias. O Brasil apresentou proposta que aborda os seis pontos levantados pelos EUA, mas ainda aguarda resposta formal.
O prazo para selar um acordo expira em 15 de julho. Autoridades brasileiras admitem correr contra o relógio, munidas de dados sobre a relação comercial e iniciativas de combate ao desmatamento.
Busca por outros mercados
Também nesta segunda-feira, o ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, reforçou a aposta no diálogo direto. “Conversar e negociar é o caminho”, disse, citando a liderança de Marcio Elias Rosa e do vice-presidente Geraldo Alckmin. Para Pereira, a tarifa prejudicaria as economias brasileira e norte-americana.

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Em paralelo, o ministro destacou a abertura de mais de 500 mercados externos ao Brasil nos últimos três anos e meio. Ele afirmou que pequenas e médias empresas ampliam sua capacidade de exportação e lembrou o acordo recentemente fechado entre Brasil e União Europeia.
Clima no Planalto
Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty veem motivação política na recomendação do USTR e dizem que ela ignora argumentos técnicos apresentados desde o início da investigação comercial, em julho de 2025. Eles observam que o texto de 2025 e o da recomendação de junho de 2026 são praticamente idênticos.
Fontes do governo admitem que a revogação completa do tarifaço é pouco provável, mas trabalham pela redução da tarifa ou pela inclusão de exceções.
Com informações de G1