Assessores do Palácio do Planalto classificaram nesta quinta-feira (16) como “ideológica” e “política” a decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O aumento foi confirmado na quarta-feira (15), último dia do prazo fixado por Washington para um entendimento entre os dois países.
Segundo integrantes do governo, a medida representa uma tentativa de beneficiar o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) e foi tomada “de má-fé” pela equipe do presidente norte-americano Donald Trump. A avaliação no Itamaraty é de que a decisão já estava desenhada desde o ano passado, quando Trump enviou carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Brasil recorrerá à Lei de Reciprocidade
Em nota oficial divulgada após o anúncio, Brasília classificou a tarifa como “lastimável” e informou que iniciará imediatamente os trâmites previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, regulamentada por decreto assinado por Lula em 2025.
Negociações contestadas
A Casa Branca alegou que o Brasil não negociou. O governo brasileiro rebate, apontando mais de 30 contatos — presenciais, virtuais ou telefônicos — desde que a investigação comercial começou, 11 deles com os representantes Jamieson Greer ou Marco Rubio. Diplomatas ressaltam que todas as iniciativas partiram do lado brasileiro.
O Planalto sustenta que o cenário se mostrava favorável após encontros entre Lula e Trump na Malásia e, depois, em Washington. A mudança teria ocorrido, segundo essa versão, após Flávio Bolsonaro visitar Trump. Desde então, autoridades dos EUA teriam apresentado exigências consideradas “inegociáveis”, como alterações no sistema de pagamentos Pix e uma moratória para plataformas digitais, além de ignorarem dados sobre combate ao desmatamento.

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Base jurídica contestada
Para o Itamaraty, com a Suprema Corte dos EUA limitando a imposição de tarifas por decreto, a Casa Branca recorreu à Seção 301 do comércio norte-americano para justificar o aumento, usando argumentos que o Brasil considera sem respaldo técnico.
Flávio Bolsonaro declarou que Lula se recusou a negociar e agiu contra os interesses nacionais, versão classificada pelo governo como “fake news”. A equipe presidencial afirma que continuará buscando mecanismos legais para responder às tarifas e proteger as exportações brasileiras.
Com informações de G1