Brasília – O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta terça-feira (7) que o Brasil mantém conversas com autoridades norte-americanas para evitar a aplicação de novas tarifas aos produtos brasileiros pela administração Donald Trump, mas não aceitará incluir o etanol nas tratativas.
Segundo o ministro, equipes técnicas dos dois países se reuniram na própria terça-feira e há expectativa de um novo encontro, desta vez com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, antes da decisão norte-americana prevista para a próxima semana.
Etanol fora da mesa
Márcio Elias Rosa reiterou que qualquer redução da tarifa brasileira de 18% sobre o etanol dos Estados Unidos está fora de cogitação. Para ele, concessões nessa área trariam “risco” à região Nordeste, que concentra grande parte da indústria sucroalcooleira nacional.
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou que o tema etanol não seja abordado nessa negociação e, mais adiante, só poderá entrar em pauta se também tratarmos da sobretaxa imposta pelos EUA ao açúcar brasileiro”, declarou o ministro.
Pressão por tarifas iguais
A sugestão de zerar tarifas para etanol e açúcar partiu do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que enviou manifestação ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) alegando “assimetria” no regime atual — o Brasil taxa o etanol norte-americano em 18%, enquanto os EUA aplicam 2,5% ao produto brasileiro.
Mais cedo, o parlamentar participou de audiência pública em Washington sobre o tema, mas não mencionou o etanol em seu discurso de aproximadamente cinco minutos. Ele classificou o momento como “o pior possível” para a adoção de medidas tarifárias contra o Brasil, citando a proximidade das eleições de outubro e avaliando que Lula poderia se beneficiar politicamente caso as sobretaxas sejam confirmadas.

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Foco no calendário
Questionado sobre a participação de Flávio na audiência, Márcio Elias Rosa evitou comentar: “O prazo é curto; devemos concentrar-nos no que pode trazer resultado positivo para o Brasil”.
O governo brasileiro espera concluir as conversas com o USTR antes da definição de Washington, prevista para a próxima semana.
Com informações de G1