Integrantes da equipe econômica do Palácio do Planalto admitem, nos bastidores, que a decisão dos Estados Unidos sobre a aplicação de novas tarifas ao Brasil tende a ser desfavorável. O prazo para o anúncio norte-americano termina nesta quarta-feira (15).
Segundo técnicos ouvidos pelo governo, a utilização da Seção 301 pelo Departamento de Comércio norte-americano confere base jurídica mais robusta à eventual taxação, reduzindo as chances de reversão por meio de argumentos técnicos apresentados por Brasília.
Cenário interno
A avaliação é de que a disputa ganhou contornos políticos desde o início das conversas bilaterais. Propostas norte-americanas que envolviam o Pix e o etanol foram consideradas inaceitáveis pelo Brasil e ficaram fora da mesa de negociação.
Plano de reação
Com a perspectiva de derrota, o governo elabora duas frentes de ação: uma resposta institucional, que deverá ser divulgada logo após o anúncio de Washington, e uma ofensiva política durante o período eleitoral.
Uso eleitoral
Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estudam relacionar o chamado “tarifaço” à atuação de parlamentares da oposição. O principal alvo é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto. Em carta enviada aos EUA, ele pediu apenas o adiamento – e não o cancelamento – das tarifas, argumento interpretado pelo Planalto como tentativa de evitar impactos antes da eleição. O senador também participou de audiência pública em Washington para defender o pleito.

Imagem: Andréia Sadi
Declarações do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sobre o Pix também serão citadas pela campanha governista, que pretende reforçar a tese de que setores oposicionistas colaboraram para intensificar a pressão norte-americana.
Sem apostar em vitória técnica, o governo vê na reação ao tarifaço uma oportunidade de capitalizar politicamente o embate.
Com informações de G1