Por Rafael Oliveira | RSO Notícias | 6 de maio de 2026
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) confirmou que disputará o governo de São Paulo nas eleições de outubro de 2026 e lançou o mote de sua campanha contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos): a contradição entre os altos índices de aprovação do atual mandatário e a piora de indicadores nas áreas de segurança, economia, saúde e saneamento. “É um governo com alta aprovação e baixo desempenho”, afirmou Haddad em entrevista ao programa TMC 360, da Transamérica, no dia 6 de maio.
O argumento central da candidatura
Haddad contou que a decisão de disputar o Palácio dos Bandeirantes surgiu após uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o alertou sobre a situação do estado. “Você não está entendendo o que está acontecendo em São Paulo. “Nós estamos com problema em São Paulo e é um governo com alta aprovação e baixo desempenho”, teria dito Lula.
Ao anunciar a candidatura, Haddad afirmou que pretende centrar a campanha na comparação de dados: “O estado está melhor hoje do que estava quatro anos atrás? A resposta é não. Se eu tiver tempo de apresentar esses dados para a população, nós podemos ter um desempenho melhor do que tivemos em 2022.”
Os pontos de ataque ao governo Tarcísio
Haddad elegeu três frentes principais de crítica:
Finanças estaduais: O ex-ministro afirmou que as finanças de São Paulo estão “se deteriorando rapidamente”, mesmo com o apoio financeiro do governo federal ao estado.
Segurança pública: Haddad citou dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) que mostram 86 casos de feminicídio no primeiro trimestre de 2026, um recorde histórico e alta de 41% em relação ao mesmo período de 2025. Ele criticou a resposta do governo estadual como insuficiente — “Um aplicativo a mais não vai resolver o problema do feminicídio” — e atacou Tarcísio por se posicionar contra a PEC da Segurança Pública. “Não existe chance da gente combater o crime organizado desorganizado Não tem chance”, afirmou.
Cooperação com o governo federal: Haddad prometeu que, se eleito, “no primeiro dia vai estar no Congresso Nacional apoiando uma PEC que faça da cooperação a regra” entre União, estados e municípios no combate ao crime organizado.
O desafio das pesquisas
A tarefa de Haddad é difícil. Segundo o Datafolha (pesquisa de março de 2026, com 1.608 entrevistados), a gestão de Tarcísio é aprovada por 64% dos paulistas e sua rejeição está em apenas 24%. Haddad, por outro lado, tem rejeição de 38% — e 58% dos entrevistados na pesquisa Genial/Quaest mais recente disseram que conhecem o petista e que não votariam nele para o governo estadual.
A estratégia do PT, portanto, passa por “desconstruir” a imagem de bom gestor de Tarcísio ao longo dos meses de campanha, apresentando dados que contraponham a popularidade do governador com os resultados concretos de sua administração.
Quem é Fernando Haddad?
Haddad, 63 anos, é professor de ciência política na USP, ex-prefeito de São Paulo (2013–2017), ex-ministro da Educação nos governos Lula e Dilma, e ex-ministro da Fazenda (2023–2026). Em 2022, disputou o governo de São Paulo e perdeu para Tarcísio no segundo turno, apesar de ter vencido na capital. Em 2018, foi candidato à presidência pelo PT e perdeu para Jair Bolsonaro.
Fontes: Brasil 247, Exame, Gazeta do Povo, Infomoney, Datafolha.