O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta terça-feira, 30 de junho de 2026, que disputará a eleição de outubro para “garantir que o país se mantenha como um país democrático”. A afirmação foi feita durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Assunção, no Paraguai.
Compromisso com o bloco
Em um pronunciamento que mesclou discurso preparado e trechos improvisados, Lula ressaltou que o Mercosul permanece a “melhor opção institucional” em uma região politicamente polarizada. Segundo o presidente, o funcionamento do bloco não pode depender de quem ocupa os governos nacionais. “Independentemente de quem seja eleito no Brasil, o Mercosul continuará sendo prioridade”, frisou, pedindo esforço nos próximos seis meses para fortalecer as estruturas do organismo.
Quarto mandato em disputa
Ao anunciar a candidatura, Lula confirmou que buscará o quarto mandato no Planalto. Seu principal rival deve ser o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O petista também advertiu para as ameaças recentes à democracia no cenário internacional e citou tentativas de golpe, inclusive no Brasil.
Propostas econômicas e tecnológicas
No campo econômico, Lula sugeriu que a arquitetura do PIX sirva de base para um sistema de pagamentos instantâneos comum ao Mercosul, com o objetivo de reduzir custos e expandir o uso de moedas locais. Ele propôs ainda o intercâmbio de experiências em inteligência artificial entre os países membros.
Fundo contra desastres naturais
Logo no início da reunião, a pedido do presidente brasileiro, os líderes fizeram um minuto de silêncio pelas vítimas de dois terremotos ocorridos na Venezuela na semana passada, que já deixaram 1.719 mortos. Lula defendeu a criação de um fundo sul-americano para resposta a desastres naturais e financiamento de adaptação climática, classificando a medida como “necessidade estratégica”.
Comércio e novos acordos
O chefe do Executivo brasileiro apresentou números que mostram o avanço do comércio intrabloco, de US$ 4,5 bilhões em 1991 para US$ 50 bilhões em 2025. Ele citou a ratificação recente de acordos com Singapura e União Europeia, além de negociações em curso com Canadá, Índia e Vietnã. Segundo Lula, a cúpula lançará tratativas para uma parceria econômica com o Japão e, em seguida, buscará aproximação semelhante com a China.

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Presenças e ausências
Participaram da reunião os presidentes Santiago Peña (Paraguai), Yamandú Orsi (Uruguai), José Antonio Kast (Chile) e Daniel Noboa (Equador). O presidente da Argentina, Javier Milei, não compareceu, alegando compromissos internos, e enviou o chanceler Pablo Quirino como representante. Milei encontrou-se na véspera com Flávio Bolsonaro em Buenos Aires.
O Mercosul foi criado em 1991 e hoje reúne Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, com a meta de promover integração econômica, aduaneira e a livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos.
Com informações de G1