Rio de Janeiro – O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (2) que intervenções externas vêm dificultando as tratativas entre Brasil e Estados Unidos para tentar reverter o aumento de tarifas anunciado pelo presidente norte-americano Donald Trump. Segundo ele, o governo brasileiro trabalha contra o relógio para chegar a um entendimento antes de 15 de julho, data-limite fixada pela Casa Branca.
“Todas as vezes em que avançamos surge algum empecilho ou atropelo e precisamos superar”, declarou o ministro, após reunião no Rio de Janeiro com o representante do Escritório Comercial dos EUA (USTR), Jamieson Greer. Márcio Elias Rosa disse que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é manter o diálogo “sem contaminação ideológica”.
Exemplos de entraves citados
No detalhamento, o ministro mencionou:
- uma ordem executiva norte-americana publicada em julho do ano passado que condiciona decisão do Supremo Tribunal Federal a sobretaxa de 40% mais 10%;
- a atuação de um ex-deputado brasileiro que, nos EUA, teria se apresentado como autor do chamado “tarifaço”;
- manifestações nas redes sociais, no Brasil, comemorando a penalidade.
O Palácio do Planalto atribui parte da pressão tarifária a articulações de integrantes da família Bolsonaro. Em 2025, quando Washington impôs taxa de 50% a produtos brasileiros, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro agradeceu publicamente a Trump, gesto classificado pelo presidente Lula como “traição à pátria”.
Expectativa de Brasília
Assessores do Planalto, em caráter reservado, afirmam não acreditar numa revogação completa da medida adotada pelos EUA. O objetivo, dizem, é buscar exceções ou reduções, apoiando-se em dados sobre o fluxo comercial bilateral.
Na quarta-feira (1º), o Ministério das Relações Exteriores encaminhou resposta formal à investigação norte-americana baseada na seção 301. O chanceler Mauro Vieira contestou críticas ao PIX e a decisões judiciais brasileiras, classificando-as como assuntos internos, sem relação com comércio.

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Diplomacia vê motivação política
Fontes do Itamaraty relatam que os documentos do USTR pouco mudaram entre a apresentação das alegações iniciais, em julho de 2025, e a recomendação final, em junho de 2026, indicando, segundo a diplomacia, desconsideração dos argumentos técnicos enviados pelo Brasil. Entre esses dados estão números que mostram redução do desmatamento no governo Lula em comparação com o período anterior.
Mesmo diante do prazo apertado, Márcio Elias Rosa disse que as conversas seguem “com serenidade” e que cada rodada traz “algum avanço”. O ministro reforçou que o país permanecerá na mesa de negociação até o último momento.
Com informações de G1