Possível título do Brasil na Copa de 2026 pode mexer com humor do eleitor, dizem especialistas

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Faltando três meses para o primeiro turno das eleições presidenciais, a Seleção Brasileira decide neste domingo (5) uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, contra a Noruega. O g1 ouviu pesquisadores para entender se o desempenho da equipe nacional é capaz de influenciar o voto do brasileiro.

Vitória fortalece o presidente em exercício?

Para a analista de comportamento eleitoral Renata Coelho, um título mundial gera, ainda que de forma passageira, um sentimento coletivo de satisfação que pode refletir positivamente na avaliação do governo. “O eleitor não acorda e pensa: ‘o Brasil ganhou, vou votar no presidente’. Ocorre uma transferência emocional que melhora a percepção sobre o cenário geral”, explicou.

O filósofo e cientista político Gustavo Javier Castro concorda que conquistas esportivas criam euforia e reforçam a identidade nacional, mas pondera que fatores econômicos, sociais e institucionais mantêm peso maior na decisão de voto. “O benefício é simbólico e momentâneo; dificilmente altera, sozinho, a estrutura da disputa eleitoral”, avaliou.

Especialistas citam 1994 como exemplo de convergência entre futebol e política: o tetracampeonato coincidiu com o lançamento do Plano Real e a queda da hiperinflação, contexto que favoreceu a candidatura de Fernando Henrique Cardoso.

Derrota deixa marca mais duradoura

Coelho destaca que frustrações esportivas tendem a permanecer na memória coletiva por mais tempo do que as comemorações. A derrota para o Uruguai na final de 1950 e o 7 a 1 sofrido diante da Alemanha em 2014 são apontados como traumas nacionais que, em momentos distintos, acabaram sendo usados como metáforas políticas.

Segundo Castro, insatisfações pré-existentes podem ser “contaminadas” por um revés em campo, servindo de combustível a discursos de crise ou desorganização. Ainda assim, ele ressalta que, sem problemas econômicos ou tensionamentos sociais, um resultado negativo dificilmente muda o voto do eleitor.

Influência em 2026 deve ser mais fragmentada

Renata Coelho afirma que a capacidade do futebol de mobilizar o país diminuiu em relação a décadas passadas, devido à multiplicidade de interesses e ao papel das redes sociais. “Hoje, o jogador é também influenciador e marca pessoal, falando diretamente com milhões de seguidores”, observou.

Para Castro, a Copa do Mundo segue relevante, porém o impacto ocorre de forma pulverizada. “O humor coletivo dependerá não só do placar, mas de quem protagoniza esse resultado e de como o eleitorado, já polarizado, interpreta o momento”, concluiu.

Especialistas concordam que, embora a conquista do hexa possa gerar ganhos simbólicos temporários para o governo, questões econômicas e sociais continuarão decisivas nas urnas em outubro.

Com informações de G1

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Rafael Oliveira é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.