O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência em 2026, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta terça-feira (7) que o aumento da participação das mulheres nos cargos públicos pode contribuir para o combate à corrupção. A declaração foi feita durante evento do Women Invest, plataforma de educação financeira voltada ao público feminino, em São Paulo.
“Nós queremos que as mulheres avancem a sua participação na política e isso vai ajudar no combate à corrupção. No caso Banco Master, não me lembro de mulher envolvida; só homens”, disse Zema, referindo-se à investigação sobre fraudes financeiras conduzida pela Operação Compliance Zero da Polícia Federal.
O ex-governador também citou dados sobre o sistema prisional para sustentar o argumento: “Quando você olha a população carcerária, 95% são homens e apenas 5% ou 6% são mulheres, o que mostra que elas cometem menos delitos”.
Operação Compliance Zero
A investigação menciona o ex-banqueiro Daniel Vorcaro como principal alvo e envolve ainda Ciro Nogueira, Jaques Wagner, Augusto Ferreira Lima, Eduardo Mendonça Sodré Martins, além das empresas BN Financeira e PKL One Participações.
Declaração ocorre após polêmica sobre Bolsa Família
As falas desta terça vêm poucos dias depois de Zema ter dito, em evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que mulheres beneficiárias do Bolsa Família “têm outras atribuições em casa” e, por isso, não deveriam seguir as mesmas exigências de qualificação impostas aos homens.
Questionado novamente, ele voltou a associar mulheres ao cuidado com os filhos: “Na política, a participação feminina deixaria tudo com visão de longo prazo, já que as mulheres se preocupam mais com o futuro”.
Violência de gênero e feminicídio
Zema declarou apoio à ampliação de políticas de atendimento a vítimas de violência doméstica e citou programas mineiros que oferecem autonomia financeira a mulheres agredidas e ampliam delegacias especializadas. Defendeu ainda penas mais severas para feminicídio.

Imagem: Internet
De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, Minas Gerais classificou 47% dos homicídios dolosos de mulheres como feminicídio em 2024, contra 56,9% em 2023. No país, foram registrados 1.492 feminicídios em 2024, maior número desde a criação da lei específica em 2015. Em outubro de 2024, a punição passou a variar de 20 a 40 anos de prisão.
Preocupação com união da direita
Idealizado por Maria Helena, o Women Invest surgiu em março de 2019 e soma mais de 6 mil participantes. Ela afirmou que não pretende buscar outros pré-candidatos para encontros, mas que o espaço está aberto a quem desejar dialogar.
No público, mulheres manifestaram preocupação com a união da direita para 2026 e citaram possíveis nomes femininos para compor chapas, como Cris Monteiro (Novo), a senadora Tereza Cristina (PP), a ex-ministra do STJ Eliana Calmon e a jurista Denise Frossard.
O evento foi encerrado com reforço ao pedido de maior participação feminina em decisões políticas e ao debate sobre agenda econômica do país.
Com informações de G1